15 anos das "Águas de Março": Morretes debate lições e prevenção ao El Niño

 

Publicado em: 16/06/2026 16:20

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Município relembra desastre climático de 2011 em ação conjunta entre comunidade, Defesa Civil e universidade.

Quinze anos após a tragédia climática que marcou a história de Morretes, 43 estudantes e professores dos cursos de Geografia e Ciências Biológicas da Unicentro, campus de Guarapuava, uniram-se à Defesa Civil municipal e à Associação de Moradores local na Colônia Floresta, no dia 4 de junho de 2026, para uma ação de conscientização e análise de riscos. O encontro teve como objetivo principal debater as lições do passado deixadas pelo desastre das “Águas de Março” em 2011 e avaliar as atuais estratégias de preparação da cidade diante de novas ameaças meteorológicas, como o fenômeno El Niño. A atividade prática buscou integrar o conhecimento científico acumulado pela universidade à realidade vivida pela comunidade da Serra do Mar, humanizando os dados acadêmicos estudados em sala de aula.

A programação começou às 16h com uma caminhada técnica de 1,4 km a partir do Rio Floresta, organizada pelos docentes Willian Bortolini, Yasmmin Tadeu Costa e Miguel David Fuentes Guevara, que serviu para observar as cicatrizes dos deslizamentos de terra na paisagem e o processo de regeneração da biodiversidade local. Na sequência, o grupo se reuniu na associação comunitária para uma roda de conversa marcada por relatos emocionantes dos moradores sobre o luto, as perdas materiais e o isolamento sofridos na época. O debate contou com a participação do Secretário de Resiliência Climática e Defesa Civil de Morretes, Anderson Luís de Amorim Ferreira, que destacou que o trágico episódio de 2011, embora tenha deixado 2500 pessoas desabrigadas e vitimado duas pessoas, tornou-se um marco fundamental que transformou a gestão de riscos no estado.

Segundo o secretário Anderson Ferreira, a partir daquele momento a Defesa Civil passou a ser tratada como um investimento prioritário e não mais como um custo, permitindo uma evolução estrutural completa no município nos últimos 15 anos. Entre os principais avanços apresentados aos acadêmicos, destacam-se a transição de uma atuação focada apenas no pós-desastre para o monitoramento preventivo constante, uma articulação institucional mais ágil na emissão de alertas e planos de contingência específicos para o El Niño, que incluem a abertura preventiva de córregos. Além disso, a criação e implantação dos Núcleos de Defesa Civil (NUPDECS) que descentralizará o primeiro atendimento, capacitando os próprios moradores para agirem de forma imediata em emergências, o que facilita a organização de forças-tarefa e a assistência direta.

Para além dos protocolos técnicos e organizacionais, o secretário aproveitou a presença dos futuros biólogos e geógrafos para provocar uma reflexão profunda sobre cidadania, pertencimento e empatia dentro da comunidade. Ferreira enfatizou que a resiliência urbana e o enfrentamento às severas mudanças climáticas globais devem começar de dentro para fora, no próprio bairro de cada cidadão, servindo de inspiração para as próximas gerações através de uma postura profissional e humana exemplar. Ao conectar a memória viva da população local, o planejamento estratégico do poder público e o rigor da pesquisa científica, a visita técnica consolidou-se como um modelo essencial para diminuir riscos e construir uma sociedade preparada para o futuro.


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